15.11.17
12.11.17
16.11.16

Etiquetas: Budismo, Fotografia, Macau
13.6.14
THIS documentary by award-winning filmmaker David Grubin and narrated by Richard Gere, tells the story of the Buddha's life. Hear insights into the ancient narrative by contemporary Buddhists, including Pulitzer Prize winning poet W.S. Merwin and the Dalai Lama. Join the conversation and learn more about meditation, the history of Buddhism, and how to incorporate the Buddha's teachings on compassion and mindfulness into daily life.
Etiquetas: Budismo, Documentário
4.1.11
"TODOS caímos já na tentação de nos proclamarmos donos da Verdade. Já ouvimos proclamações sobre o Mal que não são mais que polarizações, que degeneram na falta de harmonia. Por isso podemos compreender porque a Via não tem nome. É inominada, e quando a queremos definir, deixa de ser a Via. Assim, aqueles que seguem a Via, nada proclamam.
O nosso Ego é o nosso pior inimigo. Se o pudermos combater teremos ganho uma importante batalha sobre nós mesmos.
Por essa mesma razão, um homem chamado Jeshua, da tribo de David, que era membro da seita dos Nazarenos (do termo aramaico Nazar) disse no seu belissimo sermão da Montanha:
Bem aventurados os pobres de espírito porque deles é o reino dos céus.
Contudo esta frase deve ser entendida correctamente, porquanto se sabe que o mais antigo Evangelho (do Grego Evangelion: Boa nova) foi escrito em Grego mais de 130 anos depois da crucificação. Bem aventurados os simples( despojados do Ego ) porque deles é o reino da paz interior (Céu).
Só removendo do nosso mundo específico as imagens ilusórias, poderemos compreender a essência das coisas. Descascando uma cebola camada a camada conduz-nos ao Vazio, o Grande Vazio que tudo contém.
Assim, conhecendo o essencial, que é o Nada, iniciamos o caminho para a nossa libertação.
Nascemos nus e retornaremos à terra sem nada. Apenas o espírito, essa energia que, pertencendo ao Universo, é imperecível. Assim é que a busca da perfeição do espírito deve ser a primeira prioridade, proque essa é a busca da Harmonia, a paz interior.
Por isso, a Harmonia é, simultaneamente, Natural e Universal."
O nosso Ego é o nosso pior inimigo. Se o pudermos combater teremos ganho uma importante batalha sobre nós mesmos.
Por essa mesma razão, um homem chamado Jeshua, da tribo de David, que era membro da seita dos Nazarenos (do termo aramaico Nazar) disse no seu belissimo sermão da Montanha:
Bem aventurados os pobres de espírito porque deles é o reino dos céus.
Contudo esta frase deve ser entendida correctamente, porquanto se sabe que o mais antigo Evangelho (do Grego Evangelion: Boa nova) foi escrito em Grego mais de 130 anos depois da crucificação. Bem aventurados os simples( despojados do Ego ) porque deles é o reino da paz interior (Céu).
Só removendo do nosso mundo específico as imagens ilusórias, poderemos compreender a essência das coisas. Descascando uma cebola camada a camada conduz-nos ao Vazio, o Grande Vazio que tudo contém.
Assim, conhecendo o essencial, que é o Nada, iniciamos o caminho para a nossa libertação.
Nascemos nus e retornaremos à terra sem nada. Apenas o espírito, essa energia que, pertencendo ao Universo, é imperecível. Assim é que a busca da perfeição do espírito deve ser a primeira prioridade, proque essa é a busca da Harmonia, a paz interior.
Por isso, a Harmonia é, simultaneamente, Natural e Universal."
Etiquetas: Budismo
21.6.10
"SE um homem atravessar um rio e um barco vazio colidir com a sua própria embarcação, mesmo que seja um mal-humorado, não sentirá muita raiva. Mas se vir um homem no outro barco, gritará que ele reme a direito. Se o outro não ouvir o grito, gritará de novo. E mais, começando a insultar. Tudo porque há alguém no barco. Se o barco estivesse vazio, não gritaria nem ficaria com raiva. Se conseguires esvaziar o seu barco ao atravessar o rio do mundo, ninguém te porá obsatáculos, ninguém te procurará fazer mal."
Zhuangzi, filósofo do Daoísmo, (século II a.C.)
Zhuangzi, filósofo do Daoísmo, (século II a.C.)
13.12.09
"TOMADOS num sentido quase literal, muitos textos taoístas e budistas dariam peso a esta opinião, a saber, que o mais alto estado de consciência é uma consciência vazia de tudo: ideias, sentimentos e mesmo sensações. Hoje, na Índia, é esta concepção Samadhi que prevalece. Este tipo de interpretação literal é também para nós, formados na experiência cristã, extremamente familiar, mesmo nas mais cerradas especulações.
A posição de Hui-meng era a de que um homem com uma consciência vazia não valia mais do que 'um bloco de madeira ou um estilhaço de pedra'. Insistiu em que toda a ideia de purificar a mente era irrelevante e causadora de confusão, porque 'a nossa própria natureza é essencialmente clara e pura'. Por outras palavras, não há qualquer analogia entre consciência ou mente e um espelho que pode ser limpo. A verdadeira mente é 'não-mente' (wu-hsin), na acepção de que não deve ser encarada como um objecto de pensamento ou acção, como se tratasse de uma coisa suscepível de ser agarrada e controlada. A tentativa de agir sobre a nossa própria mente é um círculo vicioso. Tentar purificar é estar contaminado pela pureza. Como é óbvio, trata-se aqui da filosofia taoísta da naturalidade, segundo a qual uma pessoa não é genuinamente livre, desprendida ou pura, quando o seu estado resulta de uma disciplina artificial. Limita-se a imitar a 'pureza', a macaquear a clara compreeensão. Daí a desagradável e auto-suficiente honradez daqueles que são deliberada e metodicamente religiosos.
O ensinamento de Hui Heng diz que, em vez de tentarmos purificar ou desocupar a mente, devemos pura e simplesmente soltá-la, porque a mente não é para ser agarrada. Soltar a mente equivale ainda a soltar a série de pensamentos e impressões que vêm e vão na mente, nem os reprimindo nem sustendo, nem interferindo neles.
Os pensamentos vêm e vão por si próprios, pois, graças ao uso da sabedoria, não há obstrução. Eis o samandhi de pragna e a natural libertação. Tal é a prática do 'não pensamento'. Mas se não pensares em absolutamente nada e ordenares desde logo que os pensamentos cessem, isso equivale a ficares atado de pés e mãos por um método, e é chamado uma visão obtusa."
Allan W. Watts, Budismo Zen
A posição de Hui-meng era a de que um homem com uma consciência vazia não valia mais do que 'um bloco de madeira ou um estilhaço de pedra'. Insistiu em que toda a ideia de purificar a mente era irrelevante e causadora de confusão, porque 'a nossa própria natureza é essencialmente clara e pura'. Por outras palavras, não há qualquer analogia entre consciência ou mente e um espelho que pode ser limpo. A verdadeira mente é 'não-mente' (wu-hsin), na acepção de que não deve ser encarada como um objecto de pensamento ou acção, como se tratasse de uma coisa suscepível de ser agarrada e controlada. A tentativa de agir sobre a nossa própria mente é um círculo vicioso. Tentar purificar é estar contaminado pela pureza. Como é óbvio, trata-se aqui da filosofia taoísta da naturalidade, segundo a qual uma pessoa não é genuinamente livre, desprendida ou pura, quando o seu estado resulta de uma disciplina artificial. Limita-se a imitar a 'pureza', a macaquear a clara compreeensão. Daí a desagradável e auto-suficiente honradez daqueles que são deliberada e metodicamente religiosos.
O ensinamento de Hui Heng diz que, em vez de tentarmos purificar ou desocupar a mente, devemos pura e simplesmente soltá-la, porque a mente não é para ser agarrada. Soltar a mente equivale ainda a soltar a série de pensamentos e impressões que vêm e vão na mente, nem os reprimindo nem sustendo, nem interferindo neles.
Os pensamentos vêm e vão por si próprios, pois, graças ao uso da sabedoria, não há obstrução. Eis o samandhi de pragna e a natural libertação. Tal é a prática do 'não pensamento'. Mas se não pensares em absolutamente nada e ordenares desde logo que os pensamentos cessem, isso equivale a ficares atado de pés e mãos por um método, e é chamado uma visão obtusa."
Allan W. Watts, Budismo Zen
18.9.09
QUANDO estava a pregar no Pico dos Abutres, o Buda mostrou aos discípulos, em silêncio, uma flor. Apenas Kashyapa compreendeu, e sorriu. Assim lhe foi transmitido, à margem de qualquer doutrina ou de qualquer texto, o selo do espírito de Buda.

Na atitude de meditação, sentado de pernas cruzadas, mão esquerda no regaço, direita estendida para o solo, com a palma para dentro, Buda faz o gesto canónico de vitória sobre Mara. Mara, "a morte", é o maligno, soberano dos desejos e demónio tentador. Exerce sobre as criaturas vivas um poder incontestado e a sua força é imensa.
Na lenda búdica, Mara perturba a meditação de Buda, quando este se sentou impassivo sob a árvore da iluminação, em Bodhgaya, na Índia (um sítio magnífico, onde já estive). Primeiro, envia contra o Bodhisattva o seu exército de demónios com caras repulsivas e corpos monstruosos, mas as armas transformam-se em flores.
Na atitude de meditação, sentado de pernas cruzadas, mão esquerda no regaço, direita estendida para o solo, com a palma para dentro, Buda faz o gesto canónico de vitória sobre Mara. Mara, "a morte", é o maligno, soberano dos desejos e demónio tentador. Exerce sobre as criaturas vivas um poder incontestado e a sua força é imensa.
Na lenda búdica, Mara perturba a meditação de Buda, quando este se sentou impassivo sob a árvore da iluminação, em Bodhgaya, na Índia (um sítio magnífico, onde já estive). Primeiro, envia contra o Bodhisattva o seu exército de demónios com caras repulsivas e corpos monstruosos, mas as armas transformam-se em flores.
Etiquetas: Budismo
7.9.09
"EIS, ó monges, a verdade mística sobre a dor: o nascimento é dor, a doença é dor, a morte é dor, a união com o que se destesta é dor, o afastamento daquilo que se ama é dor, a impotência em obter aquilo que se deseja é dor. Em resumo, os cinco agregados de apropriação são dor."
[primeira das "Quatro Nobre Verdades", enunciadas no sermão inaugural de Buda, em Sarnath, perto de Varanasi, magnífica cidade onde já estive, e que me inspirou o poema que se segue]
Varanasi
Um grande sábio budista
A civilização máquina do século
dentro da minha cabeça
Ouço cânticos e ladainhas lá fora, na margem do Ganges
Terra de ascetas, de adoradores de ídolos
As chamas dos crematórios aquecem-me
envolvem-me numa névoa mistificadora
Também eu serei cinzas, um dia
Etiquetas: Budismo
25.8.09
11.8.09
A humanidade, que tem como base o amor ao próximo e ao mundo, e a educação, que é a condição de possibilidade de respeito pelos outros, são os pilares desta filosofia confucionista, que muito preza também a justiça, ou equidade, e a prudência - fundamentais para que o povo não sofra com as decisões dos governantes.
Mas o que torna Mâncio em mais do que um mero seguidor de Confúcio é a defesa do amor-bondade, que ele encontra, em bruto, por exemplo, nas relações entre marido e mulher, pais e filhos. Se os maridos e os pais massacrarem por sistema as mulheres e os filhos, com as suas ideias, certezas e admoestações, estão a cometer um grave erro, que se traduz num preço elevado: pagam-no com o distanciamento dos familiares.
Não obstante, repetimos, o mais original da teoria de Mâncio é aquele que o aproxima de uma filosofia um pouco mais naturalista, quando defende que um homem adulto não deve perder os seus sentimentos de simplicidade de criança (Livro IV, secção B, XII), ou seja, a sua bondade natural, aquela de que muitos de nós sentimos falta, nas lutas que somos obrigados a travar diariamente e um pouco por todo o lado. Para quem se sente mal, por isto ou por aquilo, penso que ideias como estas são bem reconfortantes:
'A tendência da natureza humana para o bem é como a da água para baixo. Não há ninguém inclinado naturalmente para o mal, como a água não tende senão para baixo.'" (Livro VI, Secção A, cap.2-2)
pág.262
"Passo a resumir a perspectiva budista, que tanto me ajudou a encarar a realidade da morte. Todos os fenómenos da vida, com seres incluídos, são impermanentes. Aqueles de que muito gostamos, por um motivo ou outro, vão desaparecendo do nosso horizonte, nós próprios não duramos eternamente, embora alguns 'iluminados' julguem que escapam à lei natural da constante transformação. A vida é composta por estados transitórios, aos quais o budismo tibetano, por exemplo, dá o nome de bardos."
pág 253
Ana Cristina Alves, Crónicas da China, editora COD
Mas o que torna Mâncio em mais do que um mero seguidor de Confúcio é a defesa do amor-bondade, que ele encontra, em bruto, por exemplo, nas relações entre marido e mulher, pais e filhos. Se os maridos e os pais massacrarem por sistema as mulheres e os filhos, com as suas ideias, certezas e admoestações, estão a cometer um grave erro, que se traduz num preço elevado: pagam-no com o distanciamento dos familiares.
Não obstante, repetimos, o mais original da teoria de Mâncio é aquele que o aproxima de uma filosofia um pouco mais naturalista, quando defende que um homem adulto não deve perder os seus sentimentos de simplicidade de criança (Livro IV, secção B, XII), ou seja, a sua bondade natural, aquela de que muitos de nós sentimos falta, nas lutas que somos obrigados a travar diariamente e um pouco por todo o lado. Para quem se sente mal, por isto ou por aquilo, penso que ideias como estas são bem reconfortantes:
'A tendência da natureza humana para o bem é como a da água para baixo. Não há ninguém inclinado naturalmente para o mal, como a água não tende senão para baixo.'" (Livro VI, Secção A, cap.2-2)
pág.262
"Passo a resumir a perspectiva budista, que tanto me ajudou a encarar a realidade da morte. Todos os fenómenos da vida, com seres incluídos, são impermanentes. Aqueles de que muito gostamos, por um motivo ou outro, vão desaparecendo do nosso horizonte, nós próprios não duramos eternamente, embora alguns 'iluminados' julguem que escapam à lei natural da constante transformação. A vida é composta por estados transitórios, aos quais o budismo tibetano, por exemplo, dá o nome de bardos."
pág 253
Ana Cristina Alves, Crónicas da China, editora COD
16.6.09
ALGUÉM criticou mestre Han Shan.
"Os seus pobres poemas não fazem sentido."
Eu disse: "Nos tempos passados
ninguém se envergonhava de ser humilde e pobre."
Responderam-me, num grande sorriso:
"Hoje, essas palavras são conversa fiada,
servem rigorosamente para nada,
mais importante que tudo é o dinheiro."
-----
Os ricos cheios de trabalho, preocupações,
lutam por tudo, contentam-se com nada.
Mesmo com arroz bolorento nos celeiros,
incapazes de emprestar uma malga a um pobre.
Só pensam nos bens, no lucro,
transformam pano reles em seda de primeira.
Um dia todos irão dar um último suspiro,
só as moscas lhes apresentarão condolências.
------
Ler livros não vos impedirá de morrer,
ler livros não vos evita a pobreza.
Então para quê tanta instrução?
Um letrado leva algumas vantagens,
mas um homem bravo e inculto
anda também à deriva pelo mundo.
Poemas de Han Shan, tradução de António Graça de Abreu
"Os seus pobres poemas não fazem sentido."
Eu disse: "Nos tempos passados
ninguém se envergonhava de ser humilde e pobre."
Responderam-me, num grande sorriso:
"Hoje, essas palavras são conversa fiada,
servem rigorosamente para nada,
mais importante que tudo é o dinheiro."
-----
Os ricos cheios de trabalho, preocupações,
lutam por tudo, contentam-se com nada.
Mesmo com arroz bolorento nos celeiros,
incapazes de emprestar uma malga a um pobre.
Só pensam nos bens, no lucro,
transformam pano reles em seda de primeira.
Um dia todos irão dar um último suspiro,
só as moscas lhes apresentarão condolências.
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Ler livros não vos impedirá de morrer,
ler livros não vos evita a pobreza.
Então para quê tanta instrução?
Um letrado leva algumas vantagens,
mas um homem bravo e inculto
anda também à deriva pelo mundo.
Poemas de Han Shan, tradução de António Graça de Abreu
15.6.09
GOSTO da alegria da montanha
livre, sem amarras nem bordões.
Dia após dia, alimento o velho corpo,
nada p'ra fazer, o pensamento à solta.
Por vezes, subo a um pequeno terraço de pedra
com um antiquíssimo sutra budista.
Em baixo, mil pés de precipícios e penhascos,
em cima, nuvens densas e paradas.
Um vento cortante, a lua fria como gelo,
o meu corpo, um grou solitário voando.
------
A cólera é o fogo do coração,
pode queimar florestas de méritos.
Quem quiser seguir os caminhos de Buda
preserva a calma na essência da alma.
------
Habito a montanha,
ninguém me conhece.
Entre nuvens brancas,
o silêncio, sempre o silêncio.
Poemas de Han Shan, tradução de António Graça de Abreu
livre, sem amarras nem bordões.
Dia após dia, alimento o velho corpo,
nada p'ra fazer, o pensamento à solta.
Por vezes, subo a um pequeno terraço de pedra
com um antiquíssimo sutra budista.
Em baixo, mil pés de precipícios e penhascos,
em cima, nuvens densas e paradas.
Um vento cortante, a lua fria como gelo,
o meu corpo, um grou solitário voando.
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A cólera é o fogo do coração,
pode queimar florestas de méritos.
Quem quiser seguir os caminhos de Buda
preserva a calma na essência da alma.
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Habito a montanha,
ninguém me conhece.
Entre nuvens brancas,
o silêncio, sempre o silêncio.
Poemas de Han Shan, tradução de António Graça de Abreu
1.6.09
eterno retorno
DEDICADO a Han Shan
cumpridos mil trabalhos
uns quantos desenganos
dez anos, planos e tudo aquilo que passamos
deixo Lisboa, só, como só aqui cheguei
o taxista, bêbado, empilha a tralha
esquife de volta ao quarto de infância
dores e prazeres, feitos cicatrizes
memórias, vagas a cada dia
amanhã, um nada mais
estamos todos à espera de morrer
mas dancemos, entretanto; dancemos
como floresce a Primavera
PB (escrito em Macau)
29.5.09
"UM dia um mestre chan estava tranquilamente sentado de pernas cruzadas. Aproximou-se dele um monge, que lhe perguntou:
- Em que pensas, nessa imobilidade absoluta?
- Penso no que está para além do pensamento.
- Como consegues pensar no que está para além do pensamento?
- Não pensando."
- Em que pensas, nessa imobilidade absoluta?
- Penso no que está para além do pensamento.
- Como consegues pensar no que está para além do pensamento?
- Não pensando."
Etiquetas: Budismo
28.5.09
Han Shan

"VEJO as pessoas do mundo,
vivem num instante, depois morrem.
Ontem, apenas com dezasseis anos,
eram jovens, fortes, apaixonadas,
hoje têm mais de setenta,
extingue-se o vigor, o bom parecer.
São flores num dia de Primavera,
abrem de manhã, murcham ao entardecer."
Han Shan (tadução de António Graça de Abreu)
Prefácio aos poemas de Han Shan, por Lu Qiuyin, prefeito de Taizhou:
O homem que um dia se chamou Han Shan, ninguém sabe quem foi. Quando alguém o via, considerava-o um doido, um pobre diabo. Vivia retirado na montanha de Tiantai, sete léguas a oeste do distrito de Tangxing, num lugar chamado Han Shan (Montanha Fria), entre rochas e falésias. Daí descia frequentemente para o templo de Goqing, ao encontro do seu amigo Shi De, encaregado da limpeza da cozinha do mosteiro que lhe guardava restos de comida em malgas feitas com cana de bambu.
Han Shan costumava passear-se pelos terraços do templo, gritava de alegria, falava e ria sozinho. Os monges corriam atrás dele, temtavam agarrá-lo, insultavam-no, às vezes queriam bater-lhe. Então Han Shan assumia outra vez um comportamento normal, esfregava as mãos, sorria e partia. Parecia um verdadeiro mendigo. O corpo e o rosto estavam gastos, consumidos pelos anos, no entanto havia coerência nas suas palavras e bastava pensar no discurso de Han Shan para adivinhar ideias profundas. Tudo o que dizia tinha a ver com os segredos do passado, com o subtil princípio das coisas. O seu chapéu era uma casca de bétula, as suas roupas estavam cheias de buracos e usava tamancos de madeira muito gastos. Assim vivia este homem extraordinário, afável, isolado, diluºido na natureza, espalhando bom gosto. (...)
25.1.09
10.1.09
4.1.09
"Acordei feliz por ainda não ser um cadáver"
AT 66, just learning how to take care of my body
Wake cheerful 8 a.m. write in a notebook
rising from my bed side naked leaving a naked woman asleep by the wall
mix miso mushroom leeks & winter squash breakfast,
Check bloodsugar, clean teet exactly, brush, toothpick, floss, mouthwash
oil my feet, put on white shirt white pants white sox
sit solitary by the sink
a moment before brushing my hair, happy not yet
to be a corpse
Allen Ginsberg
[Ginsberg era paneleiro. Nada contra, mas, pelo menos até ao momento, tenho preferência clara por senhoritas, por isso tomei a liberdade poética;) de substituir boy por woman na oração leaving a naked boy asleep by the wall]
Wake cheerful 8 a.m. write in a notebook
rising from my bed side naked leaving a naked woman asleep by the wall
mix miso mushroom leeks & winter squash breakfast,
Check bloodsugar, clean teet exactly, brush, toothpick, floss, mouthwash
oil my feet, put on white shirt white pants white sox
sit solitary by the sink
a moment before brushing my hair, happy not yet
to be a corpse
Allen Ginsberg
[Ginsberg era paneleiro. Nada contra, mas, pelo menos até ao momento, tenho preferência clara por senhoritas, por isso tomei a liberdade poética;) de substituir boy por woman na oração leaving a naked boy asleep by the wall]
29.12.08
pensamentos do dia
SE os ensinamentos de Buda moldaram o doce e sorridente povo tailandês, então eu sou filosoficamente budista. Ou seja, creio firmemente na bondade do pensamento de Buda (palavras chave: energia; meditação; boa conduta; sabedoria - realidade concebida como supremo vazio -; paciência; compaixão), mas não acredito que tivesse algum poder sobrenatural, ou qualquer contacto privilegiado com uma eventual divindidade. Creio antes que foi uma espécie de herói cultural, tão santo quanto o pode ser um homem. Herói cultural como o foram Jesus Cristo (um grande filósofo também, embora tivesse a mania de que fazia milagres), Maomé, Ghandi, Mandela, Agostinho da Silva e, para mim, o meu avô Américo. Só para dar alguns exemplos...
De qualquer dos modos, sou cada vez mais um budista e pretendo estudar a fundo essa corrente de pensamento, visitando os países de crença budista e recebendo a benção dos monges, meditando e cantando com eles nos magníficos templos asiáticos.
De qualquer dos modos, sou cada vez mais um budista e pretendo estudar a fundo essa corrente de pensamento, visitando os países de crença budista e recebendo a benção dos monges, meditando e cantando com eles nos magníficos templos asiáticos.
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