7.4.11

DEPOIS deste filme, que o CJ já tinha recomendado, vi agora "Inside Job", também altamente recomendável. Se o primeiro mostra como o Governo dos EUA é permeável à influência dos lobistas, este exibe a outra face da moeda: a engenharia financeira que levou à crise mundial, com indivíduos sem escrúpulos e usufrutuários de uma riqueza obscena (chegam a ter vários jets privados) a apostarem as poupanças dos cidadãos comuns de forma totalmente irresponsável.



O filme fala também na famigeradas agências de notação financeira (deviam acabar com isso) e da forma como encobrem e aldrabam. Nem de propósito, li hoje isto no Público:
"As agências de notação financeira foram muito criticadas quando no final de 2008 se desencadeou a crise financeira, em relação à qual não fizeram soar os alarmes com antecedência. Os bancos que estiveram no epicentro dos problemas tinham bons ratings, como era o caso do banco de investimento norte-americano Lehman Brothers, que faliu. Também não foi antecipada a falência dos bancos islandeses."

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12.7.10

SE, por um lado, um euro a uma cotação mais baixa aumenta a competitividade das empresas europeias, por outro demonstra uma desconfiança preocupante dos investidores em relação à moeda europeia, agitada pelos problemas na Grécia. Visto do lado dos empresários de Macau, a actual situação permitirá a redução dos preços finais. Também os aforradores da RAEM com interesses na Europa têm razões para sorrir.

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9.3.10

AS últimas duas décadas de Portugal revistas num bom artigo de José Manuel Fernandes.

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19.12.09

"PEQUIM, 14 Dez (lusa) - Uma publicação oficial chinesa qualificou hoje o desenvolvimento de Macau na última década como “um milagre económico” e prevê que, em 2020, o território será “um centro recreativo e turístico de classe mundial”.

“Progresso regional acelera com a indústria do jogo a servir de combustível”, afirma o semanário de língua inglesa Beijing Review na última edição, cujo tema principal é o décimo aniversário da transferência da administração do território para a China.

Até 2008, a economia de Macau cresceu em média “quase 15 por cento ao ano” - salienta a revista - e o valor do seu Produto Interno Bruto per capita, estimado em cerca de 39.000 dólares, é “o segundo mais alto da Ásia, a seguir ao Japão”.

A escolaridade obrigatória, gratuita, passou para 15 anos e devido ao elevado saldo orçamental do território, este ano cada residente recebeu do governo um prémio de cerca de 750 dólares, realça a Beijing Review.

“Desde o regresso de Macau à Republica Popular da China, o que a antiga colónia portuguesa viveu foi, nada mais nada menos, do que um milagre económico”, afirma revista.

Segundo assinala a mesma publicação, os mais de trinta casinos de Macau asseguram “mais de 60 por cento do PIB” do território, o dobro de há apenas sete anos, e empregam 60.000 pessoas.

A revista recorda também o plano de desenvolvimento para o Delta do Rio das Pérolas (2008-2020), aprovado pelo governo central em Janeiro passado, e que envolve Macau, Hong Kong e nove cidades da província de Guangdong, no sul da China.

Trata-se de um plano destinado a estimular a cooperação regional e edificar “uma área altamente dinâmica na Ásia-Pacífico”, e no âmbito do qual Macau “irá tornar-se um centro recreativo e turístico de classe mundial”.

Macau, onde os portugueses se estabeleceram há cerca de 450 anos, foi integrado na República Popular da China no dia 20 de Dezembro de 1999, segundo a mesma fórmula adoptada em Hong Kong (“um país, dois sistemas”) e com idêntico estatuto (Região Administrativa Especial)."

AC.

Lusa/Fim

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14.12.09

"PAUL Samuelson, whose analytical work laid the foundation for modern economics, died Sunday in Belmont, Mass., after a brief illness. He was 94.After graduating from Chicago in 1935 he went to Harvard University for his graduate work. His 1941 doctoral thesis, later published as "Foundations of Economic Analysis," examined the mathematical structure underlying economics. The approach revolutionized the field, to the point where economists today are often consumed in the mathematical proofs of their theories.
"For me, it is a special bereavement," said Princeton University economist Avinash Dixit. "My whole style of research, and the techniques that support almost all of my own papers, derive from his foundational articles."
O resto do artigo está no The Wall Street Journal.

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12.12.09

THE Sonics - Money


You know the best things in life are free
But you can give them to the birds and bees.
I need money, that's what I want. Oh yeah, yeah.
That's what I that's what I want.

Oh, lots of things are gonna cure your ills,
But only one things gonna pay my bills
And that's money, yeah, yeah, that's what I want.
Uh-huh that's what I want.
WOW!


-Solo-\
Money isn't everything, it's true
But what it can't buy, I'll never use.

I need money. Yeah, yeah
That's what I want.
Stomp, Shout, work it on out yeah
That's what I want,
WOW!

Give me money, that's what I want x3

That's what I
That's what I want. WOW!

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16.11.09

" 243 mil famílias em Portugal que não têm nenhuma conta bancária, o que corresponde a 6,3 por cento do total de agregados familiares - são os excluídos do sistema financeiro com impactos sociais. De acordo com o INE, que recolheu estes dados no âmbito de um inquérito sobre as condições de vida e rendimento dos portugueses, 71 por cento destas famílias afirmaram que não tinham contas bancárias por não precisarem, preferindo fazer as suas transacções em dinheiro.

Os restantes 29 por cento estarão assim marginalizados por absoluta falta de capacidade financeira para abrir uma conta à ordem, mas também por estarem impedidos legalmente devido a irregularidades.

No entanto, e ainda de acordo com as informações recolhidas pelo PÚBLICO junto do INE, cerca de 51 por cento dos agregados familiares que não têm conta bancária ganharam, em 2007, 4878 euros (406 euros por mês), valor inferior à linha de pobreza relativa.

Este indicador não surpreende o sociólogo Sérgio Aires, director do Observatório da Luta Contra a Pobreza, pois "traduz a realidade portuguesa, onde a percentagem de pobres é muito elevada". A recolha destes dados foi conduzida pelo INE entre Maio e Julho de 2008, mas estão disponíveis, a nível interno, apenas desde Setembro deste ano. As informações são enviadas para Bruxelas, prevendo-se que os dados relativos a todos os Estados- membros sejam disponibilizados em Dezembro. Esta é a primeira vez que a recolha de dados é efectuada desta forma pelo INE, pelo que não há dados comparativos que permitam perceber se houve ou não um aumento deste indicador. Sandra Lopes, de 30 anos, é uma das muitas pessoas que não têm conta bancária. Mãe de quatro filhos, o último dos quais bebé, está desempregada há dez anos."
VEJA O RESTO DO ARTIGO do Público aqui...

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13.9.09

O fim do chamado "comércio justo"

"DEZ anos após a abertura da primeira Loja de Comércio Justo, a crise chegou aos estabelecimentos que lutam contra o trabalho infantil e a exploração dos trabalhadores. Em Lisboa já não existe qualquer loja e muitas outras estão em risco de fechar.

Primeiro fechou uma no Porto, depois seguiu-se a única loja que existia em Lisboa. A loja de comércio justo da baixa de Coimbra também não conseguiu resistir à crise. Em Guimarães, Álvaro Dinis, da Cor de Tangerina, teme também pelo futuro do seu estabelecimento localizado no centro histórico "mesmo em frente ao Palácio dos Duques".

"Na hora de comprar, as pessoas questionam-se" e acabam por sair de mãos vazias, diz Álvaro Dinis. "A crise começou em Setembro do ano passado, quando sentimos uma redução de 20 a 30 por cento das vendas. Hoje, temos uma redução de 50 a 70 por cento. Já equacionámos o encerramento da loja", desabafou.

O responsável pela abertura da primeira loja em Portugal, Miguel Pinto, reconhece que a "situação é bastante difícil". "Chegámos a ter oito lojas e hoje temos apenas cinco: duas no Porto, uma em Guimarães, outra em Braga e em Amarante. Já fechámos uma loja em Lisboa outra no Porto e em Barcelos", contou à Lusa.

Quando em Agosto de 1999 Miguel Pinto abriu em Amarante a primeira loja de Comércio Justo em Portugal não imaginou que, passados dez anos, se iria confrontar com a actual situação. Depressa começaram a aparecer interessados num projecto que defendia os direitos dos pequenos produtores do sul do mundo assim como todos os trabalhadores marginais, desde os povos indignas às mães solteiras e viúvas.

No início, as pessoas "duvidaram da iniciativa", mas depressa perceberam que "era real", lembra Miguel Pinto. Um pouco por todo o país começaram a aparecer espaços que davam a garantia de que os produtos exóticos, oriundos de países pobres do Sul, eram produzidos respeitando o meio ambiente e os direitos dos trabalhadores.

No entanto, "o consumidor responsável - disposto a pagar mais para ter a certeza de que se trata de comércio justo, sem exploração infantil e amigo do ambiente - representa apenas um por cento dos portugueses", lembrou João Fernandes, director executivo da Oikos referindo-se a um estudo europeu realizado há cerca de cinco anos.

Para João Fernandes é preciso que as pessoas percebam que "os seus valores éticos não podem estar dissociados do consumo e da forma como investem o seu dinheiro" e para isso é preciso haver um marketing social que mude a mentalidade dos portugueses.

No entanto, reconhece, "só quando há algum desafogo a nível económico é que é permitido às pessoas terem uma consciência responsável". Esta é uma ideia corroborada por Ana Luisa, da associação Reviravolta, no Porto: "em tempos de crise, as pessoas pensam primeiro nas suas necessidades básicas". Resultado: "temos quebras de 30 por cento de vendas em todas as nossas lojas", diz Miguel Pinto.

Apesar de haver menos consumidores, todos os responsáveis envolvidos nestes projectos acreditam que hoje os portugueses estão mais sensibilizados para a causa. Em Lisboa, onde a loja teve quebras de 50 por cento que não permitiram continuar com o projecto, Miguel Pinto continua a vender: "agora as pessoas fazem encomendas on-line e nós fazemos entregas ao domicílio por envio postal"."

*** Sílvia Maia, da agência Lusa ***

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25.8.09

ESTRANGEIROS ganham mais em Hong Kong.

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5.8.09

OS lucros semestrais dos cinco grandes bancos do mercado português, BES, BCP, BPI, CGD e Santander Totta, subiram 24 por cento, em termos homólogos, para 1.067 milhões de euros, ou seja, quase seis milhões de euros por dia.
Portugal detém a condição de país mais desigual da UE e de portador de maior índice de pobreza relativa, com um valor que há anos estabilizou nos 20/21 por cento, o que se traduz com dois milhões de portugueses a rendimentos inferiores a metade do rendimento médio nacional, em contrapartida 25% do que se produz está nas mãos de cem pessoas, o salário mínimo também já é o mais baixo ou um dos mais baixos da UE.

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20.4.09

NOMEADO em Fevereiro de 2007 como representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Hong Kong, Olaf Unteroberdoerster considera que as perspectivas de ultrapassagem da crise financeira mundial continuam ténues. Nesta entrevista, o alemão analisa o papel dos bancos no espoletar da recessão e defende que os pacotes de estímulos financeiros não serão suficientes para resolver o problema. Para isso, será preciso que os bancos voltem a emprestar dinheiro e que os investidores recuperem a confiança no mercado.

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1.3.09



OS alunos da Universidade de Macau (Umac) ouviram a análise à crise financeira global feita por James Mirrlees como se estivessem perante um oráculo. Laureado com o prémio Nobel da Economia em 1996 e professor honorário da Umac, o escocês defendeu ontem, durante um workshop realizado na universidade, que a crise só poderá ser estancada quando “os bancos se voltarem a comportar como bancos”. (Texto - PB; Foto - António Falcão)

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4.12.08

"NOS dias que correm, voltou a ser moda citar Karl Marx. Mas este filósofo alemão não falou apenas da luta de classes. Ele previu também que um dia a máquina capitalista se deterá por si própria, que a sua dinâmica se exaurirá. Porquê? O modo de produção capitalista de mercadorias contém, à partida, uma contradição interna, uma autêntica bomba ao retardador situada nos seus próprios fundamentos. Só é possível fazer frutificar o capital e, por conseguinte, acumulá~lo, explorando a força do trabalho. Mas, para gerar lucro ao empregador, o trabalhador tem de estar apetrechado com as ferramentas necessárias, e hoje com tecnologias de ponta. Daí resulta uma corrida contínua - ditada pela concorrência - à utilização de tecnologias. O primeiro empregador a recorrer a novas tecnologias fica sempre a ganhar, porque os seus operários produzem mais do que os que não dispõem desta ferramenta. Mas o sistema no seu todo perde, porque as tecnologias substituem o trabalho humano.
O valor de cada mercadoria singular contém, pois, uma cota-parte cada vez mais exígua de trabalho humano - que é, no entanto, a única fonte da mais valia e, portanto, do lucro. O desenvolvimento da tecnologia diminui os lucros na sua totalidade. Contudo, durante um século e meio, o alargamento da produção de mercadorias, à escala mundial, foi capaz de compensar esta tendência para a diminuição do valor de cada mercadoria.
Desde os anos 70 do século passado, este mecanismo - que outra coisa não era senão uma fuga para a frente - está bloqueado. Pradoxalmente, os ganhos de produtividade permitidos pela microelectrónica fizeram o capitalismo entrar em crise. Eram necessários investimentos cada vez mais vultuosos para pôr a trabalhar os poucos operários que tinham sobrado segundo os padrões de produtividade do mercado mundial. A acumulação real do capital ameaçava estancar. É então que o 'capital fictício', como lhe chamou Marx, ganha livre curso. O abandono da convertibilidade do dólar em ouro, em 1971, retirou a última válvula de segurança, o último ancoradouro à acumulação real. O crédito mais não é do que uma antecipação dos lucros futuros esperados. Mas quando a produção de valor, logo de sobrevalia, estagna na economia real (o que não tem nada a ver com a estagnação na produção de coisas - mas o capitalismo gira à volta da produção de mais-valia e não de produtos enquanto valores de utilização), só a finança permite aos proprietários de capital realizarem os lucros que se tornaram impossíveis de obter na economia real. A escalada do neoliberalismo, a partir de 1980, não foi uma manobra suja dos capitalistas mais ávidos, um golpe de Estado preparado com a ajuda de políticos complacentes, como quer a 'esquerda radical'. Pelo contrário, o neoliberalismo foi a única forma de prolongar um pouco mais o sistema capitalista, cujos fundamentos ninguém, seriamente, queria pôr em causa, quer à direita, quer à esquerda. Graças ao crédito, um grande número de empresas e de indivíduos conseguiu manter durante muito tempo uma ilusão de prosperidade."
Anselm Jappe

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10.11.08

a ascensão da China

"CHINA will continue to overtake America in all sorts of fields. In 2008 Chinese demand will for the first time become the main driver of world economic growth, with the increase in its domestic spending in current dollar terms contributing more to global growth than American domestic demand. china will overtake America as the country with the largest number of internet users. But there is one crown that America will be glad to lose: China will become the world's largest emiter of greenhouse gases in 2008. However, America's emissions per person are still more than four times China's.
If the share prices in Shangai continue to soar ans more Chinese companies carry out IPO's, it will push China's total stockmarket capitalisation ahead of Japan's and second only to America's. chinese firms will increasingly dominate international corporate rankings. Already, by late 2007, three of the world's six biggest companies by market capitalisation were chinese."

[em The World in 2008, China special edition, da revista The Economist]

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23.10.08

Portugal mirado de Espanha

"LISBOA, 21 sep (IPS) - Indicadores económicos y sociales periodicamente divulgados por la Unión Europea (UE) colocan a Portugal en niveles de pobreza e injusticia social inadmisibles para un país que integra desde 1986 el 'club de los ricos' del continente.
Pero el golpe de gracia lo dio la evaluación de la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económicos (OCDE): en los próximos años Portugal se distanciará aún más de los países avanzados.
La productividad más baja de la UE , la escasa innovación y vitalidad del sector empresarial, educación y formación profesional deficientes, mal uso de fondos públicos, con gastos excesivos y resultados magros son los datos señalados por el informe anual sobre Portugal de la OCDE, que reúne a 30 países industriales.
A diferencia de España, Grecia e Irlanda (que hicieron también parte del 'grupo de los pobres' de la UE ), Portugal no supo aprovechar para su desarrollo los cuantiosos fondos comunitarios que fluyeron sin cesar desde Bruselas durante casi dos décadas, coinciden analistas políticos y económicos.
En 1986, Madrid y Lisboa ingresaron a la entonces Comunidad Económica Europea con índices similares de desarrollo relativo, y sólo una década atrás, Portugal ocupaba un lugar superior al de Grecia e Irlanda en el ranking de la UE. Pero en 2001, fue cómodamente superado por esos dos países, mientras España ya se ubica a poca distancia del promedio del bloque.
'La convergencia de la economía portuguesa con las más avanzadas de la OCDE pareció detenerse en los últimos años, dejando una brecha significativa en los ingresos por persona', afirma la organización. En el sector privado, 'los bienes de capital no siempre se utilizan o se ubican con eficacia y las nuevas tecnologías no son rápidamente adoptadas', afirma la OCDE.
'La fuerza laboral portuguesa cuenta con menos educación formal que los trabajadores de otros países de la UE , inclusive los de los nuevos miembros de Europa central y oriental', señala el documento. Todos los análisis sobre las cifras invertidas coinciden en que el problema central no está en los montos, sino en los métodos para
distribuirlos.
Portugal gasta más que la gran mayoría de los países de la UE en remuneración de empleados públicos respecto de su producto interno bruto, pero no logra mejorar significativamente la calidad y eficiencia de los servicios. Con más profesores por cantidad de alumnos que la mayor parte de los miembros de la OCDE , tampoco consigue dar una educación y formación profesional competitivas con el resto de los países industrializados. En los últimos 18 años, Portugal fue el país que recibió más beneficios por habitante en asistencia comunitaria.
Sin embargo, tras nueve años de acercarse a los niveles de la UE , en 1995 comenzó a caer y las perspectivas hoy indican mayor distancia. Dónde fueron a parar los fondos comunitarios?, es la pregunta insistente en debates televisados y en columnas de opinión de los principales periódicos del país. La respuesta más frecuente es que el dinero engordó la billetera de quienes ya tenían más.
Los números indican que Portugal es el país de la UE con mayor desigualdad social y con los salarios mínimos y medios más bajos del bloque, al menos hasta el 1 de mayo, cuando éste se amplió de 15 a 25 naciones.
También es el país del bloque en el que los administradores de empresas públicas tienen los sueldos más altos. El argumento más frecuente de los ejecutivos indica que 'el mercado decide los salarios'. Consultado por IPS, el ex ministro de Obras Públicas (1995-2002) y actual diputado socialista João Cravinho desmintió esta teoría. 'Son los propios administradores quienes fijan sus salarios, cargando las culpas al mercado', dijo.
En las empresas privadas con participación estatal o en las estatales com accionistas minoritarios privados, 'los ejecutivos fijan sus sueldos astronómicos (algunos llegan a los 90.000 dólares mensuales, incluyendo bonos y regalías) con la complicidad de los accionistas de referencia', explicó Cravinho.
Estos mismos grandes accionistas, 'son a la vez altos ejecutivos, y todo este sistema, en el fondo, es en desmedro del pequeño accionista, que ve como una gruesa tajada de los lucros va a parar a cuentas bancarias de los directivos', lamentó el ex ministro.
La crisis económica que estancó el crecimiento portugués en los últimos dos años 'está siendo pagada por las clases menos favorecidas', dijo. Esta situación de desigualdad aflora cada día con los ejemplos más variados. El último es el de la crisis del sector automotriz. Los comerciantes se quejan de una caída de casi 20 por ciento en las ventas de automóviles de baja cilindrada, con precios de entre 15.000 y 20.000 dólares. Pero los representantes de marcas de lujo como Ferrari, Porsche, Lamborghini, Maserati y Lotus (vehículos que valen más de 200.000 dólares), lamentan no dar abasto a todos los pedidos, ante un aumento de 36 por ciento en la demanda. Estudios sobre la tradicional industria textil lusa, que fue una de las más modernas y de más calidad del mundo, demuestran su estancamiento, pues sus empresarios no realizaron los necesarios ajustes para actualizarla. Pero la zona norte donde se concentra el sector textil, tiene más autos Ferrari por metro cuadrado que Italia. Un ejecutivo español de la informática, Javier Felipe, dijo a IPS que según su experiencia con empresarios portugueses, éstos 'están más interesados en la imagen que proyectan que en el resultado de su trabajo'.
Para muchos 'es más importante el automóvil que conducen, el tipo de tarjeta de crédito que pueden lucir al pagar una cuenta o el modelo del telefono celular, que la eficiencia de su gestión', dijo Felipe, aclarando que hay excepciones. Todo esto va modelando una mentalidad que, a fin de cuentas, afecta al desarrollo de un país', opinó.
La evasión fiscal impune es otro aspecto que ha castrado inversiones del sector público con potenciales efectos positivos en la superación de la crisis económica y el desempleo, que este año llegó a 7,3 por ciento de la población económicamente activa. Los únicos contribuyentes a cabalidad de las arcas del Estado son los trabajadores contratados, que descuentan en la fuente laboral. En los últimos dos ños, el gobierno decidió cargar la mano fiscal sobre esas cabezas, manteniendo situaciones 'obscenas' y 'escandalosas', según el economista y comentarista de televisión Antonio Pérez Metello. 'En lugar de anunciar progresos en la recuperación de los impuestos de aquellos que continúan riéndose en la cara del fisco, el gobierno (conservador) decide sacar una tajada aun mayor de esos que ya pagan lo que es debido, y deja incólume la nebulosa de los fugitivos fiscales, sin coherencia ideológica, sin visión de futuro', criticó Metello.
La prueba está explicada en una columna de opinión de José Vitor Malheiros, aparecida este martes en el diario Público de Lisboa, que fustiga la falta de honestidad en la declaración de impuestos de los lamados profesionales liberales. Según esos documentos entregados al fisco, médicos y dentistas declararons), los arquitectos de ingresos anuales promedio de 17.680 euros (21.750 dólares), los abogados de 10.864 (13.365 dólaree 9.277 (11.410 dólares) y los ingenieros de 8.382 (10.310 dólares).
Estos números indican que por cada seis euros que pagan al fisco, 'le roban nueve a la comunidad', pues estos profesionales no dependientes deberían contribuir con 15 por ciento del total del impuesto al ingreso por trabajo singular y sólo tributan seis por ciento, dijo Malheiros. Con la devolución de impuestos al cerrar un ejercicio fiscal, éstos 'roban más de lo que pagan, como si un carnicero nos vendiese 400 gramos de bife y nos hiciese pagar un kilogramo, y existen 180.000 de estos profesionales liberales que, en promedio, nos roban 600 gramos por kilo', comentó com sarcasmo.
Si un país 'permite que un profesional liberal con dos casas y dos automóviles de lujo declare ingresos de 600 euros (738 dólares) por mes, año tras año, sin ser cuestionado en lo más mínimo por el fisco, y encima recibe un subsidio del Estado para ayudar a pagar el colegio privado de sus hijos,significa que el sistema no tiene ninguna moralidad', sentenció."

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8.8.08

A crise do "abaixo do melhor" explicada a leigos

"O que liga uma família de um subúrbio de uma cidade dos EUA a outra família de uma qualquer cidade portuguesa? Hoje a pergunta já não é absurda. Foi há um ano que começou, remotamente, um turbilhão de acontecimentos que haveriam de lhe dar sentido.
O primeiro sinal surgiu com a nótícia de que dois fundos de um banco americano, especializados em investimentos em produtos financeiros correlacionados com o crédito à habitação nos EUA tinham ido à falência. O facto correu o Mundo. Mas na altura era impossível alcançar a sua importância.
Para o perceber é preciso recuar no tempo. Entre 2001 e 2004 os EUA gozaram de juros historicamente baixos, que enfraqueceram as defesas da banca contra o risco. O crédito chegou a toda a gente, mesmo a quem não tinha condições para o pagar. O tal segmento "subprime", "abaixo do melhor", agora de má fama. Os grandes financeiros de Wall Street entretiveram-se a transformar essas hipotecas em produtos de investimento, com selo de garantia das agências de "rating", que vendiam a grandes investidores, esperançosos num juro acima da normalidade. Até os próprios bancos, dos dois lados do Atlântico, tomaram o veneno.
Quando o preço do dinheiro começou a subir, as famílias mais desprotegidas dos subúrbios americanos entraram em incumprimento, devolvendo as casas. O valor do imobiliário caiu, primeiro devagar, depois de forma abrupta, esvaziando a bolha criada por anos de dinheiro barato. Os produtos de investimento correlacionados às hipotecas deixaram de ter comprador e o seu valor ficou reduzido a zero. Lixo. Tal como os dois fundos da Bear Stearns, que colapsaram faz hoje um ano.
Sem norte, os investidores em obrigações abandonaram o mercado de crédito e deixaram de aceitar ficar com a dívida dos outros, fossem eles famílias ou empresas. Os bancos, que escondiam dos balanços estes investimentos exóticos, vieram aos poucos reconhecer o pecado. Não a tempo de evitar a desconfiança dos seus pares, que deixaram de querer emprestar dinheiro entre si. Ou então passaram a exigir um prémio de risco muito mais elevado.
A ilusão do dinheiro abundante foi a primeira a ruir. De um momento para o outro, o apetecido metal tornou-se um bem escasso e logo caro. Quem paga crédito tem cada vez mais dificuldades em esticar o orçamento até ao fim do mês. E há quem vaticine que não voltaremos à abundância do passado.
Por esta altura, já se adivinhava o efeito do consumo das famílias e nos lucros das empresas de um crédito mais alto. Recessão ou abrandamento económico era a dúvida. Que subsiste. Nas bolsas de todo o mundo a retracção dos lucros e a vâ esperança de uma resolução rápida ditava ora quedas violentas, ora fulgurantes recuperações. A volatilidade passou a ser o prato do dia.
Acossados, os investidores viraram-se para os activos que prometiam retornos: as matérias primas. Que então já vinham registando fortes valorizações nas principais bolsas de mercadorias, impulsionadas pelo apetite voraz das indústrias dos países emergentes. Estrangulado por uma oferta limitada, o petróleo seria a "commodity" mais especulada. Num ano, saltou dos 70 para os 140 dólares. Um novo choque petrolífero. Mas bem diferente de há 30 anos atrás, quando o barril disparou por razões não exclusivamente geopolíticas. Desta vez, sobe porque o petróleo não voltará a ser abundante (nem as gasolinas baratas) e por causa da especulação.
Outras matérias primas, que não suspeitávamos que fossem transaccionadas e "preçadas" num mercado de capitias, subiram a pique. Arroz, trigo, milho e soja, os cereais e oleaginosas que constituem a base da alimentação nos quatro cantos do planeta, galgaram para valores recorde, provocando fome e especulação. O receio de escassez foi mais uma vez o mote. A comida barata pertence ao passado.
Como qualquer crise, esta tem os seus culpados: os bancos, as agências de 'rating', os supervisores, os especuladores, as petrolíferas, os biocombustíveis, os políticos... Tem os seus heróis e vilões, gente da alta finança que acabará no argumento de um realizador americano, ajudando o povo a fazer a catarse. Tem lições a dar sobre a supervisão da banca e a necessidade de cooperação global.
Como qualquer crise, esta espicaçará o engenho e criará oportunidades, por exemplo para o transporte público ou o nuclear. E não será certamente a última. Num bairro de uma qualquer cidade portuguesa ou de um qualquer subúrbio americano, outro 'subprime' há-de ser servido como tema de conversa à mesa de um jantar difícil de digerir."

Artigo de André Veríssimo, publicado no Jornal de Negócios de 18/7/08

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