11.2.11

ESTES artistas portugueses, um dos quais está agora em Macau, tiveram uma ideia muito engraçada. Em vez de um blogue de relato de viagem, fizeram um "vídeo diário", partindo do princípio - nem sempre correcto, para bem da minha profissão - de que uma imagem vale mais do que mil palavras.

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3.10.09

NOS meus diários universitários, para além da descrição quase exaustiva do quotidiano (um traço de personalidade, não querer perder nunca nada?), havia também uma espécie de letras que inventava para músicas, que também imaginava nas madrugadas de leitura, a ouvir a RUC baixinho, para não acordar o vizinho.
Esta escrevi para criticar os pseudo intelectuais que se pavoneavam (e pavoneiam! - há coisas que não mudam) pela Praça de República:

Rap do Psuedo

humanista narcisista
solidário ao contrário
comunista de aviário
onamista universitário

(refrão)
és um pseudo
és um pseudo, ah ahn
wanna be a tropical

de mala a tiracolo
dissecas sobre cultura
e falas para o umbigo
q'precisa de ouvido

(refrão)

de ter lido o Breton todo
e inalar tanto charrinho
hás-de ser surrealista
como vinha na revista

(refrão)

OU este blues

Hei Meu

Hei meu. porquê essa face triste?
Precisas de arranjar uma mulher fixe
(2 voz)"- Não sei porque ando tão triste?
O amor é difícil, se é que existe"

Hei meu, deixa esses blues assim
Devias arranjar mulher boa, vai por mim
Que esteja contigo na noite e no dia
Q'impregne em ti um sentimento de poesia

"Tive mulheres assim, deixá-las foi ruim
E agora estou só, num lamento sem fim"

É apenas um Outono desolado por que estás a passar
Faz frio no vazio, mas vais ver, o sol vai brilhar

(refrão)
Deixa os blues da Carris
Deixa os blues na Carris
Deixa os blues da Carris
Deixa os blues na Carris

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2.10.09

DE volta aos meus arquivos coninbricenses (i.e., ao meu quarto de infância), pego em alguns dos muitos cadernos de diários que escrevi ao longo dos anos. Milhares de páginas, com todo o tipo de observações. Delicio-me a ler alguns excertos, ao acaso. Revelam situações de que já não me lembrava minimamente e é para isso que se escrevem diários, para registar o que o tempo faz evolar. São pueris e, ao mesmo tempo, pertinentes. Por exemplo, dos tempos universitários:

"íamos jogar futebol após a visita à Lusa. Chovia torrencialmente e só havia dois chapéus. Todos encavalitados uns nos outros a atravessar a portagem. O Pedro e o Rodrigo a cantarem hinos de futebol, nós a corrermos e a rasteirarmo-nos e a fugirmos uns dos outros. Depois, no Estádio Universitário, com os putos do Silva Gaio, senti um estranho retrocesso no tempo, como se aquela hora, aquela idade, aquele espaço, tivessem sido meus muito antes daquelas novas pessoas terem surgido na minha vida.
Fui eu que fiquei sempre no mesmo sítio."
(Dezembro de 1996 - Boa verdade, eles foram-se depois embora, como tudo se vai embora de Coimbra, e eu continuei por lá)

"O exercício que hoje se desenrolou na aula de rádio acabou por ser muito interessante. Tratava-se de ir para a cabine e fazer uma apresentação sumária - em 40 segundos - de si próprio, ou de um colega. E poedmos retirar consequências do que é dito, pelo que não é dito:

O Paulo Agostinho apresentou a Ana de uma forma floreada, plena de retórica e de palavras bonitas.

O Pedro foi lacónico, directo, objectivo. Apresentação: altura - 1m74; peso - 67 quilos; idade - 22; religião - nenhuma; interesses - futebol, cinema americano, futebol; clube: futebol clube do porto

O Ricardo foi competente e empático.

Eu fui deliberadamente pouco falador e dúbio.

O Rodrigo foi brilhante no texto, na imaginação, nas reviravoltas. "Agora estou aqui a pensar para onde devo fugir".

O Nélson falou pela negativa. Que não gostava de fazer aquilo e que o fazia só por dever ou obrigação. Que não gostava de hipócrisia, ostentação, capitalismo e de ninguém incondicionalmente.

A Cecília caprichou no texto. Hei-de ver o filme favorito dela: "Les Nuits Folles".

E hei-de ler o livro "O Perfume", de P. Suskind

E a Patrícia Freixo é descendente de uma família indiana."

(Fim de 1996)

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