11.6.09


O nome de Macau vai entrar pelas casas de milhões de espectadores espalhados pelo mundo, quando no sábado tiver lugar a décima edição dos prémios da Academia Internacional de Cinema Indiano. Cerca de 300 jornalistas vindos de mais de 45 países passarão pelo Venetian ao longo do fim de semana, num evento que tem uma audiência televisiva calculada em 600 milhões de espectadores. Estou a fazer a cobertura jornalística deste gigantesco acontecimento mediático. Escreverei mais sobre isto nos próximos dias.

Etiquetas: , ,

24.2.09

PELA primeira vez a música indiana é contemplada com um óscar para melhor canção original nos óscares. O mérito vai para Allah Rakkha Rahman (música) e Gulzar (letra). A interpretação é de Sukhwinder Singh, Tanvi Shah e Mahalakshmi Iyer.

Etiquetas: , ,

30.11.08

O terror é...

FEELINGS of a Chinese scribe who stayed at the Taj
By Li Xing (China Daily)
Updated: 2008-11-28 08:50

"The beautiful and stately Taj Mahal Hotel has played host to countless heads of state, and it was here that President Hu stayed when he visited Mumbai. He delivered a keynote speech, encouraging Chinese and Indian entrepreneurs to cooperate for the mutual economic growth of their countries.

It was at this hotel that Hu met with the sister and other family members of Dr Dwarkanath Kotnis, who sacrificed his life helping us Chinese fight the Japanese invaders during World War II.

So seeing dark plumes of smoke billowing out of the windows of the heritage hotel welled up an indescribable feeling of sadness within me. Seeing the southern part of Mumbai battered made me feel as one of the invisible victims of mindless violence, for I have wandered its streets and neighborhoods for hours.

The images are still vivid. After walking out of the Taj's main entrance, I found myself facing the sea. The Gateway of India stood witness to a part of India's long history. This is a favorite haunt of international tourists and Indian tourists, where they converge for that keepsake photograph.

From there, I walked northward, passing by a statue of Swami Vivekananda, a great thinker revered by Indians. Near a huge banyan tree, I found myself among scores of students of Bombay University who were shuttling between classes. (The university retains its old name even after the city underwent a name change.)

As I walked further, I passed by shops, restaurants, banks a primary school and several residential compounds punctuated with small gardens at street corners. I saw local people going about their business - white-collar employees, teachers, students or business people.

That part of Mumbai showcases a booming metropolis in commercial, economic and cultural terms, where people are proud of their urbanity and sophistication.

As I see (on TV) those very shops and establishments closed and the area under siege, I can't help praying for the safety of all who live and work there, in other parts of Mumbai, the rest of India and the world beyond."

[O terror é ter apanhado um comboio nesta estação


e tomado uma cerveja no Leopold's de Colaba


e saber que podia ser eu, que podias ser tu, que podíamos ser nós...]

Etiquetas:

3.10.08

Vida na transição entre dois mundos


Bairro das Fontinhas, em Pangim, onde a arquitectura é portuguesa e muitos dos habitantes mais velhos continuam a falar a língua de Camões. No centro do bairro fica o bonito palacete da delegação da Fundação Oriente em Goa

OS olhos claros de Fernando Colaço transparecem a simpatia de quem tem tido uma vida rica. Dono de uma energia invejável para um septuagenário, o advogado continua a trabalhar diariamente no seu escritório atafulhado de livros e papéis. Paralelamente à sua actividade de causídico, está a escrever um livro de memórias onde relata com pormenor o “antes, durante e depois” da invasão de Goa pelas tropas indianas. Oriundo de uma família goesa radicada na Beira (Moçambique), Colaço estudou Direito em Lisboa, onde foi colega do malogrado primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro. Formou-se em 1956 e o seu primeiro posto profissional foi como notário na remota ilha açoriana de São Jorge. Seguiu-se Vila Velha de Rodão, onde recebeu notícia de que iria ser criado um notariado em Pangim. Decidiu regressar às origens e tomou posse no dia 1 de Janeiro de 59, sem suspeitar que o poder em Goa iria mudar de mãos rapidamente. “Nunca pensámos que houvesse uma possibilidade de conquista ou invasão armada de Goa. O Nehru tinha fama de pacifista, nós éramos admiradores dele”, recorda. Foi com espanto que, na madrugada do dia 18 de Dezembro de 1961, acordou com o barulho de uma explosão. A União Indiana tinha desencadeado a operação da tomada de Goa, Damão e Diu, As forças invasoras de Goa contavam com cerca de 50 mil homens e Vassalo e Silva, governador-geral do Estado Português da Índia, decidiu desobedecer a Salazar e não oferecer resistência, evitando que o magro contingente militar luso fosse massacrado. A memória mais vívida que Fernando Colaço tem do dia da invasão é a da mensagem do comandante da aviação indiana, berrada a partir de uma avioneta em voo rasante: “Paz e calma! Paz e calma!” - exclamava o militar. No meio destes acontecimentos conturbados, Fernando Colaço manteve a data do seu casamento com Sílvia e o enlace aconteceu no dia 27 de Dezembro. Seguiu-se o ultimato emitido pelo governo militar a todos os funcionários judiciários, que tiveram que jurar lealdade à Índia até dia 6 de Janeiro de 1962, sob pena de demissão dos cargos. Falou mais alto o desejo de ficar em Goa e todos assinaram, inclusive o presidente do Tribunal da Relação e o procurador geral da República. O destino quis que o notário fosse o último representante de um dos cargos mais antigos da administração portuguesa na Índia. O primeiro notário das Índias foi Diogo do Couto, que morreu em Goa no ano de 1616.
A possibilidade de resistência à invasão nunca foi colocada, apesar de ter havido quem defendesse a independência do território, ou até a sua integração numa espécie de “Commonwealth” portuguesa, juntamente com as outras colónias. “Mas Goa não é Timor. Timor é um exemplo para o mundo, em termos de resistência e militância. Morrem pela sua pátria. Aqui em Goa não, somos muito acomodatícios” compara Colaço. O advogado recorda como o português deixou de ser bem visto e mesmo ensinado entre 1961 e 1974. Mas considera que actualmente “voltou a haver alguma projecção da língua, embora anémica”. Na sua opinião, “apenas a Fundação Oriente [da qual é advogado] tem um papel interveniente e seria importante que outras instituições portuguesas marcassem presença em Goa. Para evitar que, no futuro, “sempre que se pergunta a um adolescente como está, ele responda ‘well’”.

[Texto da minha autoria, publicado no suplemento Fugas, do Público; 2005]

Etiquetas: , ,

Em Macau: Em Lisboa:
www.flickr.com
This is a Flickr badge showing public photos and videos from BARBOSA BRIOSA. Make your own badge here.
Bookmark and Share