12.11.09

"É o Outono do meu segundo ano em Paris. Fui mandado para cá por uma razão que ainda não consegui compreender.
Não tenho dinheiro, nem recursos, nem esperanças. Sou o homem mais feliz que existe. Há um ano, há seis meses, pensava que era um artista. Agora já não penso nisso: sou. Tudo o quanto era literatura me abandonou. Não há mais livros a escrever, graças a Deus.
E então isto? Isto não é um livro. É líbelo, calúnia, difamação. Não é um livro na acepção corrente da palavra. Não. É um insulto prolongado, uma cuspidela na cara da Arte, um pontapé no cu de Deus, do Homem, do Destino, do Tempo, do Amor, da Beleza...do que quiserem. Vou cantar para vocês. Um pouco desafinado, talvez, mas cantarei. Cantarei enquanto esticam o pernil, dançarei em cima do vosso sórdido cadáver...
Para cantar é preciso primeiro abrir a boca. Há que ter um par de pulmões e um pequeno conhecimento de música. Não é necessário possuir acordeão ou guitarra. O essencial é querer cantar. Isto é, pois, uma canção. Estou a cantar.

É para ti, Tânia, que canto. Gostaria de saber cantar melhor, mais melodiosamente, mas nesse caso talvez nunca consentisses em escutar-me. Tens ouvido os outros cantar e eles têm-te deixado fria. Cantam ou bem demais, ou insuficientemente bem.
(...)
Oh Tânia, onde está agora essa tua cona quente, esses jarretes gordos e pesados, essas coxas macias, bojudas? Há um osso na minha picha com quinze centímetros de comprimento. Mandrilarei todos os refegos da tua cona, Tânia grávida de semente. Mandar-te-ei para casa, para o teu Sylvester, com dor de barriga e o útero virado do avesso. O teu Sylvester! Sim, ele sabe atear um fogo, mas eu sei inflamar uma cona! Disparo raios ardentes dentro de ti, Tânia, deixo-te os ovários incandescentes. O teu Sylvester está agora um bocadinho ciumento? Sente qualquer coisa, não sente? Sente os restos da minha grande picha. Alarguei um bocadinho as margens, alisei os refegos. Depois de mim podes receber garanhões, touros, carneiros, patos, são-bernardos...Podes enfiar pelo cu acima sapos, morcegos e lagartos. Podes cagar arpeggios, se te apetecer, ou passar as cordas de uma cítara de lado a lado do teu umbigo. Fodo-te, Tània, para que permaneças fodida. E se tens receio de ser fodida publicamente, foder-te-ei privadamente. Arrancar-te-ei alguns cabelos da cona e colá-los-ei no queixo do Boris. Cravarei os dentes no teu clítoris e cuspirei moedas de franco."

Henry Miller, Trópico de Câncer

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11.11.09

Montanha de Laoshan


Montanha de Laoshan, originally uploaded by BARBOSA BRIOSA.

Qingdao


Qingdao, originally uploaded by BARBOSA BRIOSA.

Casa do governador alemão -Qingdao

QINGDAO tem uma atmosfera única e quer afirmar-se como uma das capitais mundiais da vela. A cidade portuária possui uma indústria pujante e características naturais e culturais que justificam uma visita. Pode ler a minha reportagem sobre esta pérola chinesa aqui.

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Qingdao


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Qingdao


Qingdao, originally uploaded by BARBOSA BRIOSA.

10.11.09

VOLTANDO ao fado de Lisboa, gostei recentemente de ler "A Noite e o Riso", de Nuno Bragança, que começa logo por ter uma das dedicatórias mais lindas que já vi:

"À Carolina Fonseca, que me disse 'boa noite' quando nos despedimos antes de ela morrer"

É um livro irregular, com excertos inspirados:

"'Lisbon is a bum's nightmare; you can only survive it by getting drunk.' Um inglês mo disse, em pleno meio da noite, Cais das Colunas. Tivera eu ido álcool adentro e talvez a cidade me passasse ao lado, desapercebida - peso e dor ocultos remetidos à surdina com que de vez em quando, mesmo em plena euforia de prego a fundo nos gargalos, vinha até mim algo como um uivo ao longe; um soluço pulando na treva silenciosa das ancestrais misérias, e que fica a pairar como uma nuvem cheia de trovões. Ainda aí está, para quem saiba ler no vivo movimento.
Lisboa é triste. Deu por isso quem peregrinou atentamente pelas diversões borga nos becos da Capital, do Império. Melancolias. Não foram poucas vezes em que explodi a rir, como quem chora com quem chora, são-paulatinamente.
Os veteranos: pus-me a pau por causa deles, está visto. Saltado fresco do mês de Maria sussurrado para mais estridentes reinos (Cais do Sodré, Mouraria), dei logo em meter os olhos nos que tinham precedido a minha geração temporal em tais praças de ritmo. Penso neles quotidianamente, arrepiado. E mais resmungo réquies lembrando a moribundação de vários companheiros. Vi: grandes mecos da melhor extracção humana rapidamente sorvidos; contaminação de quem, em vez de fazer vida, deixa que o tempo a esboroe com vagares de um oceano lamentável devorando o litoral.
De começo, tudo risota e toca-a-andar. Éramos muito novos e tínhamos as algibeiras cheias de possível - a única moeda inoxidável pela desvalorização normal. Os veteranos topavam essa distância. Abraços galhofeiros disfraçavam com dificuldade a baba expectante do vampiro recebendo berço com recheio, Eles era sádicos da Espanha: vengan más caballos sempre que o toiro estripa um. Cabalo sim, talvez. Mas devagar. (...)
págs. 143, 144, A Noite e o Riso, Edições D. Quixote

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pensamento do dia


MY dream is to fly over the rainbow so high

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9.11.09


VI estes Pet Conspiracy num festival em Hong Kong. São já uma das bandas mais badaladas da cena rock de Pequim, e deram um grande concerto. Com bom som e uma entrega rara, terminando o concerto quase numa orgia entre as meninas da banda e o público. Fiquei a pensar que já pouco se "rocka" assim no Ocidente. Isso acontecia nos anos 60, quando o rock era subversivo. Hoje quem se está a libertar da ditadura de ideias e do fascismo de gostos (um longo caminho) são os chineses. Como em todos os casos em que houve uma grande opressão, dá-se uma explosão e o rock germina bem nessas situações. Assim como a poesia.

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8.11.09

pensamento do dia

ESCREVO para que não morra aquilo que foi vida

7.11.09

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6.11.09

pensamento do dia

I go wit u but u pai mi money

5.11.09


FIVE years after Dutch filmmaker Theo van Gogh was murdered by a Muslim extremist in Amsterdam, where half the population is of immigrant origin, the city is grappling with social integration.

Nevoeiro

NEM rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.


Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...


É a Hora!


[Sim, Fernando Pessoa, isso é tudo muito bonito... É a hora, mas é a hora de quê?]

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4.11.09

É hoje a lançada a publicação “Best in Travel 2009”, da editora de guias de viagem Lonely Planet, que inclui a “Blue List”. Muito antecipada pela imprensa de viagens e turismo, a “Blue List” estabelece um ranking dos dez melhores destinos mundiais para os chamados “viajantes independentes”, que não gostam de viajar integrados em excursões turísticas e têm normalmente orçamentos limitados para os seus périplos. Na lista deste ano estão incluídos locais tão díspares como uma baía recôndita na Tasmânia, a cidade mais a nortenha do mundo e algumas ilhas longínquas. A província chinesa de Yunnan surge entre as seleccionadas, juntamente com outros dois destinos asiáticos, nomeadamente Ko Tao, na Tailândia e Nam Ha, no Laos.



Sobre a província localizada mais a sudoeste da China, o livro refere que “são de encher a alma os pores-do-sol na Garganta do Salto do Tigre, o amanhecer nos arrozais de Yuanyang, o meandros de cidades perdidas no tempo como Lijiang ou Dali, ou o apreciar de uma cerveja gelada em Xishuangbanna, após uma caminhada pela selva”.
Quem visita Yunnan, que faz fronteira com Myanmar, o Laos e o Vietname, costuma fazer um percurso triangular, com partida de Kunming, a capital da província, e passagens por Dali, Lijiang e Zhongdian. Maioritariamente montanhosa, Yunnan é caracterizada pela diversidade das suas fauna e flora. A província é rica em recursos naturais é atravessada por mais de 600 rios e lagos, com vastas zonas de espectaculares caminhos ao longo de íngremes desfiladeiros.



A ilha de Ko Tao, na Tailândia, surge pela primeira vez na lista do Lonely Planet, sucedendo na fama a locais como Ko Samui e Ko Pha-Ngan. Paraíso do mergulho, devido à beleza dos seus corais, Ko Tao é uma ilha muito frequentada por mochileiros, que alia a beleza das praias a uma animada vida nocturna.
Nham Ha, no Laos, é o terceiro destinos asiáticos referenciados nesta lista dos melhores do mundo. Segundo a descrição hoje publicada, o local “tem montanhas, cascatas, planaltos e uma mistura cultural com mais de 30 grupos étnicos”. Há propostas para vários gostos, com os “mais aventureiros a poderem viajar ao longo de percursos na selva, por entre aldeias pitorescas, ou observar animais selvagens, como os leopardos”.

Oceânia

À Oceânia coube em sorte um destino na “Blue List”: a Baía dos Fogos, na Tasmânia. Para o Lonely Planet, trata-se de um local de “praias douradas e mar cor de safira, resguardado e cercado por uma floresta frondosa”. Com boas condições para a prática do surf, a baía “só atraiu a atenção internacional há pouco tempo”. Agora, lê-se no “Best in Travel 2009”, “é a melhor altura para visitá-la”.

Europa

Os apreciadores do Velho Continente têm várias escolhas clássicas recomendadas. Uma delas é a província de Languedoc, na França, referida como “a Cinderela do sul, com cidades charmosas como Montpellier, Sète e Nimes”. Não muito distante, o País basco, em Espanha e na França, é outro dos dez listados, pelas “paisagens dos Pirinéus” e também pela vida nocturna das cidades bascas.
Ainda na Europa, foi escolhida Svalbard, na Noruega. A mil quilómetros do Pólo Norte, trata-se “da única cidade na Europa por onde vagueiam Ursos Polares”. Pela zona, esparsamente povoada, há fiordes, glaciares e “a neve mais pura”. A melhor época para uma visita a estas terras frias é Agosto, sugerem os autores.

América

Parece ter havido uma preocupação na distribuição mais ou menos equitativa dos destinos escolhidos pelos maiores continentes. Tal como a Europa e a Ásia, também a América surge com três locais listados neste “top 10”. São eles Chiloe, no Chile, a Ilha Grande, no Hawai e Santo André e Providência, na Colômbia. O arquipélago de Chiloe foi seleccionado devido à “recentemente inaugurada reserva ecológica e por ali se situar a mais antiga rede de agro-turismo chilena”. Considerado “um arquipélago místico”, tem características pitorescas, onde não faltam aldeias piscatórias, igrejas listadas pela Unesco, ou possibilidades de visitas a colónias de pinguins.
Santo André e Providência são as duas maiores ilhas do arquipélago colombiano situado nas Caraíbas. Embora próximas, têm características diferentes, sublinham os autores do Lonely Planet: “Santo André possibilita passeios em motas de água e viagens a bordo de pequenos submarinos. Providência tem miradouros paradisíacos e hospitalidade genuína”, com menos turistas.
Já a Ilha Grande do Hawai “tem todas as delícias tropicais, inclusive vulcões em actividade, mas é menos frequentada e mais acessível do que destinos vizinhos”. De acordo com o “Best in Travel 2009”, para além da diversidade das praias – há-as de areia branca, mas também de areia preta ou mesmo de areia esverdeada -, há uma multitude de actividades possíveis, tais como passeios de cavalos por entre os ranchos, ou visitas às áreas vulcânicas.

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3.11.09

queria que o meu amor morresse

QUERIA que o meu amor morresse
e a chuva chovesse sobre o cemitério
e sobre mim pelas ruas onde eu andar
chorando aquela que julgou amar-me




samuel beckett
trad. miguel esteves cardoso
as escadas não têm degraus 3
livros cotovia
março 1990

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2.11.09

O Público tem, a partir de hoje, uma nova directora. O primeiro editorial, que não vem assinado, é pesaroso. Reflecte a doutrina de que o jornalismo está em crise.

"A confiança no jornalismo, no entanto, já viveu melhores dias."

E depois, sinal de uma liderança colegial, defende o fim dos editoriais assinados:

"Os editoriais, a partir de hoje, deixarão de ser assinados. Os editoriais expressarão o pensamento desta direcção e deste jornal sobre o mundo que procuramos descrever, compreender e analisar página a página. Não queremos doutrinar nem vender receitas. Queremos interrogar o mundo. Daremos expressão a todos os pontos de vista, mas afirmaremos os nossos. Os editoriais serão escritos pelo novo Gabinete Editorial, composto pela direcção e mais cinco jornalistas do PÚBLICO - Teresa de Sousa, Jorge Almeida Fernandes, Margarida Santos Lopes, Ricardo Garcia e Vítor Costa. Há 20 anos, quando nascemos, foi decidido que os editoriais seriam assinados com base em duas ideias: seriam mais acutilantes e comprometeriam apenas o seu autor. Hoje sabemos que essa ideia original se tornou utópica e que um editorial compromete todo o jornal - é a cara do jornal - e não pode, por isso, ser veículo da opinião de uma só pessoa. Acreditamos, também, que é possível escrever editoriais incisivos, com pontos de vista corajosos e provocadores, que questionem e mobilizem a sociedade. Os novos editoriais do PÚBLICO, são, portanto, textos de opinião do jornal como instituição. A mesma filosofia será aplicada à secção Sobe e Desce."

Ora, eu não acredito, a não ser em questões de princípio, em editoriais não assinados. Cheira-me a jornal de partido, em que todos devem pensar o mesmo. Um editorial nunca reflecte a posição de toda a redacção, visto que dentro da redacção há posições díspares. Mesmo dnetro da direcção as há. Eu prefiro um editorial assinado que analise profundamente uma questão (como eram os de José Manuel Fernandes, concordássemos ou não), do que os editoriais cinzentões do Diário de Notícias, que não são assinados.

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pensamento do dia

GOSTAVA de cagar dinheiro.

29.10.09



ISTO é de chorar de tão bonito que é. É como naqueles momentos de poesia em que dois se amam sem haver amanhã. O piano e Gould são um só na noite eterna. È preciso já ter vivido muito para poder cantar assim.

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"COMO é sabido, Macau nem sempre foi uma floresta de árvores das patacas, e em tempos idos as famílias chinesas eram mesmo muito pobrezinhas, numerosas, e os irmãos mais velhos começavam a trabalhar novos para sustentar os irmãos e ajudar os pais. Alguns casaram jovens, e constituíram família ainda na flor dos seus 20 anos. Em muitos casos como forma de conquistar a independência, e assim ganharam eles próprios novas bocas para alimentar.

Nos anos 60 e 70 os empregos bem remunerados e a vida comfortável estavam apenas ao alcance de poucos, ora os que trabalhavam para a administração colonial, ora as grandes famílias que podiam mandar os filhos estudar no estrangeiro, ora os grandes comerciantes. Foi nesta época que se deu o grande fluxo emigracional de muitos macaenses para o Brasil, Canadá e Estados Unidos da América, os tais que hoje podemos encontrar nos tais encontros das comunidades macaenses que se realizam em Macau."

Continue a ler esta muito interessante análise no Bairro do Oriente.

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28.10.09

pensamento do dia

THEY are sharping their knifes on my mistakes.

27.10.09

O departamento de língua portuguesa da Rádio Internacional da China (RIC), um dos 59 serviços em língua estrangeira daquela emissora fundada em 1941, está a poucos meses de celebrar o meio século de existência. O vice-presidente da RIC e a coordenadora do departamento lusófono concordam na análise: segundo eles, há uma tendência de expansão do português na China e a língua tem um valor estratégico para Pequim, que usa a rádio para apresentar-se a países que considera importantes desse ponto de vista.

Leia a reportagem que fiz em Pequim.

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26.10.09

pensamento do dia

- EU acho que tu tens rancor às mulheres. Para ti, todas as mulheres são putas, excluindo a Virgem Maria e a tua santa mãezinha.
- Não tires a virgem e a mãezinha disso. Numa certa escala, e com imensas gradações, são-no, claro, como o Homem é. Todos acabam por se vender, a maioria já nasce irrevogavelmente vendida. Mas porque havia de ter rancor às mulheres, se costumam ser umas queridas para mim?






"Se querem mesmo e eu digo mesmo um grande poeta paguem-me bastante dinheiro e terão o melhor só o melhor se me pagarem mais ainda também despacho qualquer um que vos incomode ou aborreça a mim não me diz lá muito por muito menos já matei uns quantos mas isso é outra história agora estou desempregado preciso do dinheiro estejam à vontade os senhores é que sabem.”
Ricardo Mendonça Marques,
Fragmentos, Estilhaços, Granadas



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22.10.09

NInho de Pássaro


NInho de Pássaro, originally uploaded by BARBOSA BRIOSA.

NInho de Pássaro


NInho de Pássaro, originally uploaded by BARBOSA BRIOSA.

Visitei hoje o fabuloso Ninho de Pássaro, em Pequim.

21.10.09

pensamento do dia

RICARDO is offline and can't receive messages right now.

20.10.09

LISBOA, 27 de Setembro de 2009 - Volto a olhar como um estranho, como um estrangeiro na minha cidade. É como se usasse uma lente magnificadora durante umas fugazes horas. De regresso, após um ano. O olhar fez-se esquisito, de novo. Dura um lapso de tempo e depois volto a observar como se tudo aquilo fosse normal. É normal? Tal como sucedera quando regressei de seis meses na Holanda (ver texto em baixo), entro no metro e vejo as caras de Lisboa. A ignorância e a miséria estampadas nos rostos deprimidos. Uma melancolia quase insuportável numa tarde de domingo como as outras. As exigências vão baixando, um tipo dá por si acostumado a esta violência subliminar. Lisboa, a cidade morta dos domingos, a cidade sem dia útil. Lisboa, "põe-te linda, vamos sair". Lisboa, fui eu que fiquei triste? Era eu que não dançava? Ou eras tu, Lisboa?




OU, por outras palavras (e não é ressentimento emigrante, escrevi isto quando estava a viver em Portugal):



Poema Social


(Da série “Rimas Fodidas – jocoso ma non tropo” )

Dedicado ao Dalai Lama


Um buraco social
chamado Portugal
contentinho por aí
só com xiripititi
puta que pariu a sorte
de ter nascido em tal morte
A dor da gente ligada na televisão
fodendo por procuração
ou então, ou então
há quem case pela Igreja
dobram os sinos, que inveja!
do aparato de merdaleja
O tuga monta apartamento
hipoteca o livre pensamento
num buraco social
chamado Portugal
onde todos gostam do trabalho
“é muito interessante” e o mangalho
país de mentira, de imbecis
e de construtores civis
de futebol a álcool
da agenda no telejornal
e do trânsito infernal
valha-nos o velho tintol
o comando remoto
os canos de esgoto
viva Portugal, venceremos!
com os políticos que merecemos
andando todos sem nos ver
fingindo em vez de ser
a falar no messenger
Puta que pariu a má sorte
de ter nascido em tal morte


- Mas de que te queixas, paspalho?
Queres antes o Sudão?
S'não te orgulhas da Nação
ide também para o realíssimo caralho!




---

Lisboa depois da Holanda (18/7) – Regressar a Portugal, e principalmente a Lisboa, depois da experiência da Índia e dos meses na Holanda, é estranho. Estar fora foi uma felicidade. Na Índia vi dimensão e exotismo, em Veneza elegância e fausto, na Holanda organização e qualidade de vida. Aqui vejo atraso e aperto. O anúncio no Metro com um tipo engravatado submerso em água: "Afogado em dívidas?" É, claro, publicidade de uma empresa de crédito "a prestações mais suaves". Ando de café em café a fazer tempo enquanto a B. trata dos seus assuntos. Não tenho casa. Ontem passei à porta da nossa antiga casa. Olhei para a varanda e lá estava o velho e ferrugento escadote a um canto, onde o tinha deixado. Estão tapetes estendidos na grade da varanda e esses não são meus. A casa já é de outros e não quereria voltar lá. Lugar comum verdadeiro: não se volta ao sítio onde se foi feliz.

Voltando a Utrecht – Faz pouco mais de um mês desde que saí da Holanda e já estou completamente imbuído na realidade lusa. O contraste é tal que Utrecht parece estar bem mais para trás. A C. e o M., a N. e o A., as longas passeatas de bicicleta e os cafés acolhedores da cidade, tudo isso me parece estar numa outra dimensão. E está.
É curioso que nos últimos tempos da Holanda sentia o contrário. Era Portugal que surgia como uma realidade distante e esbatida. E eu sentia-me bem com isso. Não tinha grandes saudades do que sabia vir encontrar. Havia uma nostalgia dos amigos, da comida, do clima, mas não do país. Não da sociedade portuguesa, ignorante e medíocre. Sentia-me protegido disso, longe. Sabia que estava num jardim ,um sítio melhor, mais justo e civilizado.
Em todo o caso (gosto desta expressão, que o D. costuma usar), comecei a perder o contacto com o país. Muito paulatinamente, mas de forma visível. As notícias portuguesas foram deixando de ser urgentes. Ao deixar de ver a televisão nacional, deixei de ter acesso às caras de que se falava nos jornais. Metade dos políticos do novo Governo eram desconhecidos para mim. Nunca os tinha ouvido ou visto. E ainda bem, não tinha perdido nada.
O que aconteceria se ficasse mais tempo? O processo progrediria inapelavelmente. Veja-se os exemplos da C. e da N., que já têm uma ideia muito vaga do país. Quando muito, vêm cá nas férias passar alguns dias. Falam de Portugal sem qualquer nostalgia. Estão noutra e estão bem. Acho que estão conscientes daquilo de que se safaram.
Eu acho interessante essa ideia de distância em relação à "pátria". Acho que um tipo deveria viver muitas vidas ao longo da sua vida. E vivê-las em sítios diferentes, com pessoas diferentes. Estes meses holandeses foram essencialmente isso: uma outra vida. Venham mais!

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19.10.09

pensamento do dia

SÃO precisos dois para fazer a paz.
John Fitzgerald Kennedy


São precisos dois para foder a paz.
DJ So Big!
PONTO Final fez 18 anos. Veja aqui a história do jornal.

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ATÉ ao dia 6 de Novembro é possível ver de perto e em detalhe, na Doca dos Pescadores, duas centenas de imagens que ilustram o mundo no ano de 2008. A mostra de fotojornalismo World Press Photo apresenta-se na RAEM pela segunda vez, trazida pela Casa de Portugal em Macau, e já está garantido o seu regresso até 2011.

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18.10.09

pensamento do dia

TENHO que lhe dizer

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Em Macau: Em Lisboa:
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This is a Flickr badge showing public photos and videos from BARBOSA BRIOSA. Make your own badge here.
  1. Amsterdam, The Netherlands
  2. Barcelona, Spain
  3. Varanasi, India
  4. Venice, Italy
  5. Paris, France
  6. Lisbon, Portugal
  7. Marrakech, Morocco
  8. Salvador, Brazil
  9. Ponta Delgada, Portugal
  10. Macau, China
  11. London, England
  12. Cairo, Egypt
  13. Rome, Italy
  14. Panaji, India
  15. Dublin, Ireland
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